Gerações Glock

Sejam todos bem vindos ao nosso primeiro artigo de 2015, é com muita honra e prazer que inauguramos este ano com um novo artigo sobre uma das mais famosas pistolas já criadas, um artigo sobre as ” Gerações Glock “. Já contamos AQUI a história desta empresa. Vimos como foi o caminho que Gaston Glock percorreu, desde a fabricação de anéis para cortina, até a fabricação de acessórios militares até finalmente quando começou a produzir suas pistolas e fornece-las para o Exército Austríaco e forças militares e policiais ao redor do mundo.

Estas pistolas sofreram mudanças e melhorias, novos modelos foram introduzidas à sua linha de produção e consequentemente ao mercado. Tudo isto culminou no que chamamos de Geração, as pistolas Glock, particularmente, possuem, até hoje, 4 gerações, e neste artigo contaremos a história de suas gerações e suas particularidades.

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Glock G17 Geração 1

As pistolas da Geração 1, são de  1982-1987/88. As pistolas fabricadas nesta geração eram a G17 e G18, ambas em 9mm Parabellum. O cabo das armas desta geração eram totalmente texturizados. As paredes de seus canos eram mais finas, e por isso eram conhecidos como “Pencil Barrel”,  a mola de recuo e a guia do ferrolho eram feitas separadamente, seus carregadores eram feitos em plástico e seu “Dust Cover” era arredondado (parte em frente ao guarda-mato que cobre a mola de recuo).

As pistolas modelo 18 e 18C foram feitas para a unidade de contra-terrorismo do Exército Austríaco, a unidade EKO Cobra. A pistola 18 é a variação com seletor de tiros do modelo 17, ou seja, esta arma dispara em modo automático, sua cadência de tiros é de 1200 tiros por minuto.

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À esquerda gatilho sem textura serrilhada da G17 e à direita gatilho com textura serrilhada da G19.

Apenas algumas dezenas de Glock G19 foram feitas na primeira geração, elas eram protótipos feitos de amostra para a ATF (Alcohol, tobaco and Firearms – Agência dos EUA que regula a venda de Armas de Fogo, Álcool e Tabaco) examinar. As Glocks G19 possuem um gatilho “serrilhado” ao invés do gatilho “suave” da Glock 17. O cano da G19 possui o furo de encaixe em um local diferente do da G17 e esse é um dos motivos pelo qual não são intercambiáveis entre si.

GERAÇÃO 2: Em 1988 a segunda geração foi lançada. A principal mudança que marcou esta geração foi a retexturização do cabo da arma. Desta vez seu cabo possuía retângulos texturizados ao redor do cabo da arma. O carregador agora era feito em metal, o que melhorou consideravelmente a alimentação da câmara. As paredes do cano da arma eram mais grossos, a mola de recuo e a guia do ferrolho passaram a ser feitas juntas.

Nesta foto é possível ver a diferença do cabo desta arma para a da geração anterior. Neste caso trata-se de uma G19.
Nesta foto é possível ver a diferença do cabo desta arma para a da geração anterior. Neste caso trata-se de uma G19.

Por volta de 1990, a empresa introduziu seus modelos 20 (10mm), 21 (.45 ACP), 22 e 23 (ambos em .40 S&W). Os modelos 22 e 23 são, na verdade, os modelos 17 e 19, porém, em .40 S&W; entretanto, com um calibre mais poderoso obrigou os designers a adicionarem um pino extra para reter o trancamento do ferrolho. Algumas raras e novas versões destas pistolas podem não ter este 3º pino. Os modelos 20 e 21 foram os primeiros modelos a serem feitos com a arma com um corpo maior. Isso foi feito para acomodar os calibres que eram maiores do que os outros já feitos, 10mm e .45 ACP. Todos estes modelos são da segunda geração ou gerações posteriores, e ambos possuem o 3º pino de trancamento do ferrolho.

Alguns anos depois, em 1994, a empresa começou a produzir o modelo 24, que é essencialmente a Glock 17L, porém, na segunda geração e em .40 S&W. Algum tempo depois o ângulo da janela de ejeção foi mudado d0 antigo 90º para algo um pouco maior. Essa mudança ocorreu durante a inserção dos modelos 24, 26 e 27, em .40 S&W, 9mmP e .40 S&W respectivamente. Isso significa que existem Glocks G24 com a janela de ejeção em 90º e ângulos maiores, mas as pistolas modelo G26 e suas posteriores existem apenas com o ângulo maior.

As versões posteriores das pistolas 26 e 27 foram as primeiras a incorporar sulcos para acomodar os dedos, na frente da arma, essa versão é chamada de 2.5.

Geração 3: A geração 3 incorporou todas as melhorias das versões anteriores e adicionou poucas mudanças. As novas versões da pistola eram feitas com sulcos na parte da frente do punho da arma, para acomodar melhor os dedos, mas sem trilhos táticos, e um descanso de dedo, ambidestro, logo acima do retém do carregador.

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Nesta foto é possível perceber o RTF2 texturizado no cabo da arma, os sulcos para acomodar os dedos na parte da frente de sua empunhadura, e o “thumb rest”, ou seja, um sulco para acomodar o dedão, que fica logo acima do retém do carregador.

Após a mudança para a geração 3, novos modelos foram adicionados, tais como o modelo 29 (10mm), 30 (.45 ACP), 31-33 (.357 SIG), 34 (9mm), 35 (.40 S&W) e a 36 (em .45 ACP, porém com o ferrolho do mesmo tamanho de uma pistola em 9mm com o corpo que era ainda mais fino), os modelos 37 e 39 (ambos em .45 GAP – Glock Automatic Pistol) foram introduzidos ao mercado mais tarde, estes modelos usavam um corpo do mesmo tamanho de uma G17 com o ferrolho de tamanho similar ao de uma G29 ou G30.

Alguns dos maiores modelos de pistolas em 10mm e .45 ACP foram feitos com “Short Frames” – SF -(Chassi Pequeno).

Outras mudanças feitas nesta geração foi a introdução do retém de carregador ambidestro, porém, era incompatível com os carregadores antigos. Em 2009 introduziram o RTF2 (Rough Textured Frame 2), que consiste em uma nova texturização do cabo da arma, desta vez com pequenos triângulos pontiagudos, descanso para o dedão logo acima do retém do carregador, chamam as pistolas com estas mudanças de Gen. 3.5.

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Glock Geração 4, com talas traseiras intercambiáveis, retém de carregador maior e ambidestro e a inserção do trilho tático, textura RTF3, e mola recuperadora telescópica.

Geração 4: Em 2010 as pistolas Geração 4 foram apresentadas. É uma das últimas evoluções de desenvolvimento da Glock. As mudanças externas foram poucas, a troca do RTF2 para o RTF3, ou seja, agora a textura da empunhadura é menos agressiva que da versão anterior, possui quadrados chapados ao invés de triângulos pontiagudos, e possui a palavra Gen4 ao lado do modelo da arma, no ferrolho.

Foi criada uma nova mola recuperadora, agora “telescópica”: Duas molas de elementos coaxiais são montadas juntamente com sua guia, ela é menor, e possui um tubo maior que da versão anterior. Seu diâmetro é consideravelmente maior que os das molas recuperadoras usadas nos modelos anteriores. Para acomodar esta nova mola mais volumosa foi necessário mudar a parte da frente do ferrolho e do corpo da arma, tanto interna quanto externamente. Essa mudança também ajudou a reduzir bastante o recuo dos disparos, que era algo que incomodava os operadores desta arma.

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Modo de funcionamento do sistema de segurança da Glock.

Além disso nesta nova geração a Glock investiu em um novo sistema de segurança interna. Além da trava do gatilho, que já era utilizada nas outras gerações, foi adicionado agora um prolongador na barra do gatilho, que termina num pino localizado no canal do percursor, bloqueando sua ação. O outro sistema de segurança adicionado nesta versão é formado pela própria barra do gatilho, na parte de trás da arma, e tem o formato de uma “cruz”. Os dois “braços” desta “cruz” mantém o mecanismo da pistola travado, impedindo que ela dispare por uma queda acidental ou quando é atingida por qualquer tipo de impacto forte, como um tiro.

Para acomodar diferentes tamanhos de mãos, essa geração possui uma empunhadura menor que das outras gerações e as talas traseiras podem ser trocadas (backstraps), aumentando ou diminuindo a distancia do gatilho. O retém do carregador também foi alterado, desta vez ele é maior que os reténs das gerações anteriores, além de ser ambidestro, ou seja, pode ser alterado para ser acionado tanto do lado esquerdo da arma quanto do lado direito, satisfazendo tanto atiradores canhotos quanto destros.

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Criador do blog Firearms Brasil. Atirador Informal, Técnico em Informática, mineiro e apaixonado pelo mundo das Armas de Fogo.

22 COMENTÁRIOS NO ARTIGO: “Gerações Glock

    1. Nelson, para adquirir uma G22, independente de ser policial ou não, por ser calibre restrito você tem duas opções, a primeira é fazer uma importação: você precisará ter CR de atirador, colecionador ou caçador, e fazer um requerimento de CII ao Exército, tendo a CII em mãos você poderá importar a arma. Outra forma de adquirir a G22 é comprando de alguém que já a tenha aqui, que é a maneira mais fácil, porém mais cara de adquirir a arma.

      Lembrando que armas em mapas de CR não podem ser portadas em serviço, pois a lei 10826 e o R105 é claro em relação a isso, as armas para trabalho pode apenas ser da indústria nacional. Mas caso esteja apostilada no SINARM não haverá problemas.

  1. Parabens pelo site e pela marravilhosa materia!! Acabei de importar uma g21 gen 4. 45ACP Espetáculo de arma ! Recomendo

    1. Daniel, como foi o processo de importação? Parece que está muito complicado importar armas que possuam “similares” no Brasil. Saiu muito caro?

  2. Olá tudo bem pessoal…
    Gostaria que me tirassem uma dúvida, eu sendo policia, precisa da CR para importar uma Glock 23 .40?
    E se preciso, não posso utilizar ela a paizana? Sei que em serviço não, mas no meu dia a dia para minha proteção, posso?
    Desde já agradeço!

  3. Amigo, sou policial militar e gostaria de importar uma Glock G25. Vc saberia me informar o procedimento?
    Desde já, fico grato!

    1. Dificil dizer, com a importação proibida você só consegue de estoques antigos ou usadas, e mesmo assim os preços são astronomicos, uma Glock não vale mais de 4 ou 5 mil reais, nem aqui nem em lugar nenhum.

  4. Boa tarde,
    Meu nome é Jordanni sou policial aqui na Paraíba. Minha dúvida é, se eu importar uma Glock G22.40 como CAC poderei tirar o porte dela para usar de folga para minha defesa?

  5. A noite, como eu acho que tem muita gente na mesma situação , eu tenho uma Glock comprada no Paraguay , se eu me tornar um CAC poderei registar ela é meu acervo ?

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