Glock

Glock
À esquerda temos duas granadas de manejo fabricadas pela Glock. à direita, na parte superior, vemos a entrada da fábrica em Deutsch-Wagram. E na parte iferior algumas facas de trincheira e de campo, também fabricadas por eles.
À esquerda temos duas granadas de manejo fabricadas pela Glock. à direita, na parte superior, vemos a entrada da fábrica em Deutsch-Wagram. E na parte inferior algumas facas de trincheira e de campo, também fabricadas por eles.

A história da fábrica de armas Glock, se inicia na sua fundação, no ano de 1963, pelo engenheiro Gaston Glock. Situada na cidade de Deutsch-Wagram, na Áustria, a empresa até os anos 70 produzia pequenas peças de plástico, como anéis de cortina, entre outros pequenos objetos de metal. A partir desta data, percebendo a força de sua empresa, Glock começou então a fabricar acessórios militares, como ferramentas de trincheira, granadas de treino feitas com peças de plástico e cintos de munição para metralhadoras, suprindo assim o exército austríaco.

No inicio de 1980, a empresa recebeu a visita do Ministério da Defesa da Áustria. Glock escutou a conversa de dois coronéis, que discutiam sobre a Proposta de Requerimento do Exército para a produção de novas pistolas para equipar sua força. Os Coronéis criticavam que já esperavam a 5 anos pistolas que pudessem suprir suas demandas, e que as marcas selecionadas não estavam conseguindo supri-las, uma das marcas era a renomada Steyr. Ao indagar aos dois Militares sobre a fabricação das pistolas, Glock recebeu a resposta: “Temos que encontrar alguém que possa produzir uma arma de acordo com nossas especificações, e que passe em todos os nossos testes.”

Glock ficou interessado em produzir tais armas, e após uma breve conversa com os graduados, que explicaram suas demandas, Glock disse que não seria tão difícil produzir tais armas. Os oficiais disseram que a oferta de Glock seria bem vinda, mas que deveria ser feita em um tempo muito curto e que a pistola a ser apresentada deveria ser de uma produção em série, não um protótipo.  Uma ideia oportuna, concebida por um novato no campo de produção de armas, em meio a diversas fábricas já renomadas, deixou os oficiais em dúvida. Gaston Glock começou a projetar sua nova arma imediatamente.

Pistolas que Gaston Glock se baseou para aprender sobre o funcionamento e uso de armas de fogo.
Pistolas que Gaston Glock se baseou para aprender sobre o funcionamento e uso de armas de fogo.

Em 1980 Glock passou a estudar e investigar o mecanismo e funcionamento das consideradas melhores pistolas da época, já que nunca teve contato com armas de fogo até essa oportunidade. Comprou então uma Beretta 92FS, uma Sig Sauer P220, uma CZ75 e uma Walther P38 (arma padrão do exército austríaco na época.), todas as armas eram no calibre 9mm Parabellum (9x19mm). Ele desmontou peça por peça de cada arma e montou novamente, um método simples mas eficiente para entender o funcionamento das coisas, e as armas não estariam fora dessa. Após entender o funcionamento das pistolas, Glock começou a pesquisar as patentes feitas para armas curtas, o que o ajudou a aprender e escolher as melhores e mais novas tecnologias para adicionar em seu projeto.

Mesmo após aprender o básico do funcionamento das armas e suas tecnologias, era necessário ter a ajuda de especialistas desta área. Se reuniu então no dia 08/05/1980 com os especialistas: Siegfried F. Hubner, especialista alemão de armas de fogo e também (considerado) o criador do tiro de combate na Europa; Richard Silvestri e Friedrich Dechant também especialistas no assunto. Durante o encontro, Glock pediu a eles que escrevessem como seria seu pedido para uma pistola no futuro, que fosse projetada em 10 ou mais anos. Seus convidados escreveram suas ideias tendo como premissa uma arma que seria usada pelas Forças Armadas e Forças de Segurança. Em relação a falhas das pistolas da época (disparos acidentais, falhas, problemas de segurança, manutenções e despesas com a arma) eles escreveram ali o projeto de uma arma completamente nova.

Pistola Steyr Daimler Puch Gb em 9mm Parabellum. Arma que a Glock competiu para fornecimento ao Exército Austríaco.
Pistola Steyr Daimler Puch Gb em 9mm Parabellum. Arma que a Glock competiu para fornecimento ao Exército Austríaco.

Uma arma sem travas externas, que pesasse menos do que 800g quando estivesse totalmente carregada. Hubner e Silvestri preferiram a resistência do gatilho com 1,5kg. Já o Coronel Dechant disse que deveria ter entre 2,5 a 5kg. Especificaram que a arma deveria ter entre 30 a 50mm de largura, um gatilho de 10mm de comprimento, não deveria ter mais de 40 peças no total e que pudessem ser trocadas com facilidade por um armeiro qualificado. Um cano manufaturado em uma só peça de aço para que tivesse maior precisão. A arma deveria disparar munições em 9mm de forma segura. Uma arma que não disparasse acidentalmente em caso de queda de 2 metros de altura, independente de qual parte da arma atingisse a superfície. A arma deveria ser feita de estanho ou plástico, independente do material a arma deveria ser resistente a ferrugem.

Pelo pouco que Glock entendia de armas, ele perguntou sobre a otimização do ângulo de empunhadura, e foi convencido que deveria ser possível fazer uma visada instintiva, para que o operador da arma pudesse atirar mesmo que estivesse ferido e impossibilitado de fazer uma mira correta. Gaston uniu dois itens e conduziu um experimento especifico, gerando uma pergunta: “Você pode mirar com qualquer arma com os dois olhos abertos. Mas qual o ângulo de empunhadura ideal para que possa mirar com os dois olhos fechados?” Após testes, experimentos e discussões, Glock chegou a conclusão de que o ângulo ideal seria 22° (mais tarde esse ângulo foi revisto e hoje em dia as pistolas possuem um ângulo de empunhadura de 21,5°). Enquanto se discutia o ângulo de empunhadura, os especialistas recomendaram que fizesse um carregador “cônico”, para que fosse mais fácil inseri-lo na arma.

Sobre a resistência ao clima e sujeira, a arma deveria efetuar mil disparos após ter contato com neve, gelo, areia e poeira. A arma deveria efetuar estes mil disparos e seria aceitável apenas 1 falha a cada mil tiros.

No final da reunião, todos assinaram a folha na qual escreveram suas sugestões e fizeram seus desenhos (que estão, hoje em dia, guardados pela Glock). Quando foram embora, eles não haviam percebido que tinham, afetado opinado para a evolução das amas e que suas ideias seriam usadas ainda em vida. Porém, eles estavam saindo com sorrisos em seus rostos pensando: “Agora você tem sua lista. Esperamos que esteja feliz, mas você nunca poderá fazer tal arma. Pois é impossível”, não tinham noção no que estavam ajudando a criar.

Gaston começou a juntar todas as informações que tinha: A lista dos especialistas, pesquisa de patentes e seus estudos sobre as armas compradas. Para verificar o problema com a trava externa, ele portou a P38 por duas semanas, e chegou a conclusão que nunca sabia se a arma estava travada ou não, e devido a esta dúvida, ele chegou a conclusão que a trava externa é uma desvantagem caso precise usar a arma rapidamente.

O próximo passo era desenhar a arma. Glock as desenhou da forma mais simples possível, para que ao entregar os desenhos ao seu engenheiro, Reinhold Hirschheiter, ele pudesse terminar a produção no mesmo dia, e pudesse testar a arma ainda na mesma tarde. Glock testava todas as armas ele mesmo, em sua adega, com sua mão esquerda, pois era destro e queria poupar sua mão forte caso acontecesse algum acidente. Após ver o que funcionava e o que não funcionava de seus protótipos, ele descartava os desenhos ruins e os fazia novamente no dia seguinte (quatro de seus protótipos ainda existem, porém seus desenhos não sobreviveram).

Glock pediu uma nova patente para sua nova arma no dia 30/04/1981. Isso provou que todo seu esforço valeu a pena. Decidiu produzir armas curtas com o chassi de polímero e com menos sistemas de segurança automáticos. Ele queria uma arma que correspondesse com a filosofia: “Uma arma simples, plana e limpa.” O desenvolvimento da arma durou 18 meses. E quando finalmente estava pronta, enviou uma arma, a hoje chamada Glock G17 (recebeu este nome por ser a 17ª patente dele, as outras 16 eram de outros ítens, como os citados no inicio deste artigo), para o Exército Austríaco, no dia 19/05/1982. Mais tarde, quando perguntaram a Glock como ele se lembrava tão precisamente desta data, ele respondeu: “Porque eu trabalhei por dois anos inteiros, virei dias e noites para entregar meu projeto a tempo.”

Pistolas Glock G19 Gen 4 e Gen2, Gen 3 e Gen 3.5
Pistolas Glock G19 Gen 4, Gen 3 e Gen 3.5

Dezoito das pistolas enviadas, passaram nos testes do Exército com sucesso. Os militares finalmente tinham encontrado uma arma que satisfez  quase todas as suas demandas. A arma deveria ter dois sistemas internos de segurança, ao invés disso, o exército exigiu que a arma possuísse um sistema de segurança do percursor. Este sistema deveria proteger a munição de disparar caso o percursor quebrasse ou se algum dano ocorresse no ferrolho.

Para mais testes do Exército, em 1983, estava incluso na arma todos os 3 sistemas de seguranças demandados. Em consequência, a força Militar terrestre austríaca fez um pedido de 25.000 pistolas. E o exército Norueguês, mais tarde, também fez um grande pedido. Transformando a arma em um sucesso.

Hoje, as pistolas Glock são usadas por forças policiais e militares de todo o mundo, incluindo a Policia Federal do Brasil, que usa como pistola padrão a pistola Glock G17 em 9mmP. O FBI recentemente abandonou o calibre .45ACP, e as pistolas Springfield 1911, e adotou as mesmas pistolas de nossa força policial federal. Além de diversas outras instituições espalhadas pelo mundo que também usam armas de tal marca.

Eu, particularmente, não gosto dessa arma, mas é indiscutível sua qualidade e precisão do tiro. Sou um dinossauro quando se trata de armas, prefiro o modelo antiquado da 1911 aos novos desenhos e sistemas de armas atuais. Após testar ambas as armas em estande, chega-se a conclusão que a Glock é de fato superior em alguns pontos, como visada rápida, baixo recuo, peso, “portabilidade” e saque rápido (principalmente se a pessoa não usa coldre ao portá-la). Infelizmente (ou felizmente?), não consigo me adaptar ao gatilho da Glock, acho sua empunhadura estranha e não consigo abandonar o design centenário das pistolas 1911. Mas, como um amigo diz: “Glock é Glock e ponto final!”

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Criador do blog Firearms Brasil. Atirador Informal, Técnico em Informática, mineiro e apaixonado pelo mundo das Armas de Fogo.

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