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AS ARMAS DE MATSUNAGA

por Ricardo M. Andrade
30 Minutos de leitura

Aproveitando a repercussão do recém-lançado filme da Netflix “Elize”, que reacendeu o interesse do público por um dos casos criminais de maior impacto da história recente do Brasil, vale relembrar a trajetória de Elize Matsunaga, atualmente conhecida como Elize Araújo Giacomini. O caso ganhou enorme notoriedade pela brutalidade do crime e pela posição da vítima, tornando-se um dos episódios mais marcantes do noticiário policial brasileiro.

Em 2012, Elize foi condenada pelo assassinato e esquartejamento de seu marido, Marcos Kitano Matsunaga, então diretor-executivo da Yoki. A combinação entre a violência do crime, o perfil dos envolvidos e a ampla cobertura da imprensa fez com que o caso permanecesse em evidência por anos, voltando agora ao centro das discussões com o lançamento da produção da Netflix.

O CRIME

De acordo com os autos do processo, na noite de 19 de maio de 2012, após descobrir um relacionamento extraconjugal do marido, Elize Matsunaga iniciou uma intensa discussão com Marcos Kitano Matsunaga. Durante o desentendimento, ela se apoderou de uma pistola e efetuou um disparo contra a cabeça da vítima. Conforme a perícia, o ferimento não provocou a morte imediata de Marcos. Horas depois, utilizando seus conhecimentos de anatomia, Elize esquartejou o corpo, acondicionou as partes em sacos plásticos e malas, e as abandonou em uma área de mata no município de Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo.

A arma utilizada no crime era uma pistola IMBEL MD1 GC, calibre .380 ACP, presenteada a Elize pelo próprio Marcos. Na época, ele era um Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) e mantinha um acervo com aproximadamente 30 armas de fogo, composto por modelos destinados à defesa, peças de interesse histórico e armas voltadas à caça. Apaixonado pela atividade, Marcos realizava viagens frequentes à África para participar de caçadas esportivas. Nesta matéria, apresentaremos as principais armas que integravam sua coleção, um breve histórico de cada modelo e, quando pertinente, uma comparação entre a legislação vigente à época e as normas atuais.

As imagens das armas apresentadas neste artigo são fotografias reais do acervo pertencente ao casal Matsunaga, produzidas durante a investigação e disponibilizadas pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.

AS ARMAS DE MARCOS MATSUNAGA

SMITH & WESSON LADY SMITH CALIBRE .22 LR

A série Ladysmith, que começou com os modelos 1, 2 e 3, e continua até hoje com modelos mais contemporâneos, começou em 1902, com a criação do modelo 1, foi a primeira criação em 23 anos feita pela Smith & Wesson de um revólver calibre .22 LR que efetua múltiplos disparos. Desenvolvida por DAniel B. Wesson, esse revólver de dimensões pequenas que cabia na palma da mão, ficou conhecido como Ladysmith justamente por seu tamanho ser ideal para as mãos pequenas de uma mulher. O primeiro modelo contava com dedal serrilhado para abertura do tambor, porém, segundo modelo, o mesmo que Marcos Matsunaga possuía em seu acervo, não possuía tal peça, ao invés disso, para abrir o tambor era necessário puxar a alavanca abaixo do cano do revólver. Apesar de ser um modelo diferente, ele continuou a ser comercializado com o nome “.22 Hand Ejector, Model 1902.”

SMITH & WESSON, PERFECTED MODEL, CALIBRE .38 S&W

O modelo Perfected, lançado pela Smith & Wesson em 1909, unia as características de seus já bem avaliados revólveres Top Break, onde era necessário empurrar a alça de mira para cima, de forma que a parte da frente da arma, com cano e tambor, iria bascular, ejetando então as munições ou estojos que ali estivessem, para que novas fossem inseridas. Com o dedal serrilhado de seus novos revólveres Hand Ejector. O dedal, nestes modelos, serviam como medida de segurança extra, pois para se abrir o tambor, além de ser necessário empurrar a alça de mira, era necessário também acionar o dedal serrilhado. Seu calibre era o .38 Smith & Wesson, calibre um pouco diferente do atual .38 SPL, já falei sobre ele aqui no Calibre da Semana.

TAURUS RT980, CALIBRE .22 LR

O revólver RT980, arma em calibre .22 LR fabricada pela Taurus, é uma arma fabricada para caça de pequenos animais. Foi comercializado entre os anos 80 e 2000, este exemplar especificamente fabricado em Agosto de 2002. Possui um cano de 12″ e capacidade para 7 disparos, utiliza frame grande. Seu cano possui ainda janelas para dissipar o calor do cano. Possui ainda alça de mira ajustável.

RUGER SUPER REDHAWK, .44 REM. MAGNUM

Matsunaga era um ávido Caçador, já tendo feito caçadas na America do Sul e África, por isso muitas de suas armas eram muito voltadas para a caça de médios e grandes animais. Essa arma é um Ruger Super Redhawk em calibre .44 Magnum, equipado com uma luneta Bushnell Trophy 2-6×32. O Ruger Super Redhawk em calibre .44 Magnum foi lançado em 1987 pela fabricante americana. Possuía duas opções de cano, 7,5″ ou 9,5″. Este revólver foi um dos primeiros modelos a virem de fábrica com suporte para uso de luneta, algo que hoje ainda é pouco explorado pelas fabricantes. Este modelo é fabricado até hoje pela Ruger, e um revólver muito usado por caçadores, é fabricado também nos calibres .454 Casull e .480 Ruger.

O calibre .44 Magnum sempre foi um calibre restrito. Em 2012, na época do crime, ainda estava em vigor o antigo decreto 5123/2004, que regulamentava o Estatuto do desarmamento. As restrições quanto ao calibre e tipos de arma, nessa época, eram consideravelmente mais complexas do que são hoje, calibres como o .44 Magnum basicamente só podiam ser adquiridos por colecionadores e Caçadores, sendo autorizados para o tiro esportivo somente se fosse comprovado a competição que necessitava deste calibre.

H.D.H (Henrion, Dassy & Heuschen) REVÓLVER DE 20 TIROS CALIBRE 6,35MM – “LE TERRIBLE”

Conhecido como “Terrible”, “Mitrailleuse” ou “Redoutable” (O Terrível, Revólver Metralhadora e O Formidável, respectivamente), este revólver, patenteado e fabricado pela companhia belga Henrion, Dassy & Heuschen (H.D.H), possuía capacidade de 20 munições calibre 6,35mm. Eram duas linhas de munição acondicionadas no mesmo tambor, um cão com dois percursores e dois canos sobrepostos disparados de forma intercalada. Para alimentar o revólver ou descarrega-lo, é necessário apertar o botão ao lado esquerdo da arma, e a parte de cima dele vai abrir, ejetando as munições / cartuchos antigos.

SCHMIDT-RUBIN MODELO 1882, CALIBRE 7,5MM

Este revólver, desenvolvido pelo Coronel do Exército Suiço Rudolf Schmidt é considerado um dos melhores revólveres militares já produzidos, com inovações como a janela de carregamento segura e seu extrator articulado. Seu design permite fácil manutenção graças à placa lateral que é articulada e evita perda de peças. Foi produzido entre 1883 e 1937, tanto pela Waffenfabrik Bern quanto pela SIG,, teve versões com empunhadura de borracha galvanizada e de madeira. Permaneceu em uso até a década de 1970 pelas forças militares e policiais da Suiça.

AUTO-ORDNANCE THOMPSON M1928, CALIBRE .45 ACP

O modelo Thompson 1928 foi uma versão aprimorada da submetralhadora original M1921, amplamente adotada por forças militares e navais nos anos 1930. Ela recebeu modificações que reduziram a cadência de tiro, tornando seus disparos mais controláveis, além de incorporar compensador de recuo Cutts, guarda-mão com pistol grip e zarelhos para bandoleira. Podia utilizar carregadores em tambor com capacidade de 50 ou 100 tiros e também carregadores retos com capacidade de 20 ou 30. O modelo 1928, e posteriormente o 1928A1, marcaram a consolidação da Thompson como uma das armas automáticas mais icônicas do período, até sua substituição pelas versões simplificadas M1 e M1A1 durante a Segunda Guerra Mundial.

As armas automáticas sempre foram possíveis de ser adquiridas, desde submetralhadoras Thompson, como essa, a metralhadoras Browning M2HB .50 BMG. No Brasil, mesmo com uma legislação mais restrita em tempos passados, sempre permitiu que colecionadores adquirissem este tipo de arma, que era comumente arrebatado através de leilões das Forças Armadas, que não acontecem mais nos dias de hoje.

SMITH & WESSON MODELO 25 , CALIBRE .45 ACP

Fabricante: Auto-Ordnance
Modelo: M1928
Calibre: .45 ACP

GALAND TUÉ-TUÉ, CALIBRE .32 S&W

O revólver Galand Tue Tue, foi um revólver de bolso de cão embutido, desenvolvido por Charles-François Galand. Foi apresentado ao mercado pela primeira vez em 1893, mas por ser uma arma que apresentou bom desempenho manteve produção até 1935. Durante sua vida essa arma foi produzida nos calibres 9mm Lebel, .32 S&W e .38 ACP. Esse tipo de arma era comum no Brasil até a década de 50, sendo muito fácil encontrar exemplares e variações deste modelo em coleções particulares.

AMADEO ROSSI 997, CALIBRE .38 SPL

A 135 anos a Rossi é sinônimo de qualidade e confiabilidade. Embora a marca não fabrique mais armas de fogo — desde 1997 a Taurus produz seus revólveres e, a partir de 2008, também passou a fabricar as armas longas da Rossi — sua presença no mercado permanece nítida. Com a aquisição da Taurus pela CBC em 2014, em 2019 a CBC assumiu a linha das carabinas Puma. Paralelamente, a Taurus manteve a fabricação de seus revólveres de percussão direta e continuam entregando ao mercado os revólveres que um dia estiveram a frente no mercado.

SPRINFIELD ARMORY M1911 A1, CALIBRE .45 ACP

As pistolas modelo 1911 são produzidas por grande parte da indústria bélica mundial, desde a Colt, até marcas nacionais como Taurus e IMBEL a outras como Sig Sauer, Springfield, Colt e Smith & Wesson. A arma associada a Marcos Matsunaga aparece customizada com compensador de recuo, gatilho aperfeiçoado, alça de mira ajustável e um guia (funil) para facilitar a troca de carregador, indicando provável uso ou registro em acervo de tiro esportivo. É plausível que a peça tenha sido fabricada pela IMBEL, já que, naquele período, a indústria nacional mantinha acordos de fornecimento e parceria com fabricantes norte-americanas.

WALTHER PPK, CALIBRE .380 ACP

Em 1930 a Walther lançou a pistola modelo PPK, versão mais curta e discreta da PP, feita para armar as policiais que trabalhavam a paisana e agentes de inteligência; a PPK teve uso extenso na Segunda Guerra Mundial junto ao Exército Alemão, e ganhou notoriedade histórica por ser a arma com que Adolf Hitler tirou a própria vida em 1945. Após a guerra, a Walther licenciou a produção dos modelos PP e PPK para a fábrica francesa Manurhin, entre 1952 e 1986, que fabricou cerca de 1,2 milhão de pistolas com seu nome. O modelo tornou-se padrão em vários serviços de inteligência como o BND, Mossad e MI5 e MI6.

INGRAM M10, CALIBRE 9MM

Também conhecida como MAC-10, a submetralhadora INGRAM foi desenvolvida por Gordon Ingram, em 1964, fabricada pela Military Armament Corporation (MAC). Uma arma muito compacta, produzida basicamente por folhas de metal estampadas (dobrada). Seu sistema de funcionamento com ferrolho aberto de baixo peso culmina em uma rápida cadencia de disparos, cerca de 1200 a 1500 disparos por minuto. Foi desenvolvido também um supressor para essa arma, fabricado pela Sionics, que não só diminui o som dos disparos como também reduz a velocidade dos projéteis e consequentemente deixa a arma mais controlável.

COMBINED LOGISTICS COMAND T65K2, CALIBRE 5,56X45MM NATO

Vejam que mesmo antes de 2019, quando finalmente foi liberado para aquisição desse tipo de arma para tiro esportivo, Marcos Matsunaga já possuía um rifle semiautomático de calibre restrito, com certeza em acervo de coleção. Apesar do relatório oficial da Policia Civil de São Paulo informar que essa arma se trata de um fuzil Armalite modelo AR-180, basta uma rápida pesquisa no google para saber que está errado, na verdade esse é um fuzil Taiwanes modelo T65K2, fabricado pelo complexo de industria militar daquele país. Sua coronha de fato lembra um pouco a coronha do AR-180, mas o restante da arma nada tem haver com ela.

O T65K2 é uma evolução do modelo T65, uma copia do modelo AR15, com calça de transporte fixa e sistema para fixação de aparelhos de pontaria, como lunetas e miras optrônicas ou holográficas, fixado na própria alça. Diferente do AR15, que funciona com sistema de recuperação direta de gases, o T65K2 utiliza sistema de recuperação de gases sobre um pistão, semelhante aos fuzis HK-416, um conceito mais limpo e confiável do que o tradicional. Sua produção se iniciou em 1987 e até hoje é utilizado pelas forças armadas daquele país.

IMI DESERT EAGLE, CALIBRE .44 MAGNUM

Diferente do que muitos pensam, a Desert Eagle é uma pistola desenvolvida nos EUA, por Bernard White da Magnum Research, que aplicou para patente da arma em 1983. A Desert Eagle é uma pistola que opera por recuperação de gases e tem trancamento rotativo do ferrolho, assim como um fuzil e possui duas molas recuperadoras. A Desert Eagle foi a primeira pistola semiautomatica bem sucedida a disparar calibres MAgnum de revólver. Por falta de capacidade de produção nos EUA, a Magnum Research transferiu a produção da arma para a IMI, indústria de armas de Israel. A Desert Eagle é produzida nos calibres .357 Magnum, .44 Magnum, .50 AE, .41 AE e .429 DE.

CBC NYLON 66, CALIBRE .22 LR

Lançado em 1959, o Remington Nylon 66 foi um dos primeiros rifles semiautomáticos calibre .22 produzidos em massa com coronha e frame de polímero, substituindo a tradicional madeira. Desenvolvido em parceria com a DuPont, o projeto utilizou o material sintético Nylon Zytel 101, extremamente leve e resistente a impacto, variações de temperatura e solventes. Promovido como a “Gun of Tomorrow”, o Nylon 66 tornou-se um sucesso comercial, com mais de um milhão de unidades produzidas até 1989, sendo o rifle .22 mais vendido da Remington. Seu design inovador marcou uma revolução na indústria, provando que plásticos e engenharia poderiam substituir madeira e metal, inaugurando uma nova era de armas leves e resistentes às intempéries.

No início dos anos 1960, a CBC viu na Nylon 66 a arma ideal para o mercado brasileiro, unindo baixo custo e resistência ao clima úmido graças à coronha e frame em polímero. Com ferramental e moldes importados da Remington e polímero fornecido pela DuPont, a produção contou com peças nacionais e canos forjados pela própria CBC. As coronhas eram fabricadas pela empresa Trol. A fabricação começou em 1962 e alcançou cerca de 60 mil unidades até 1983, quando um contrato com a Firearms Import & Export dos EUA impulsionou a produção para cerca de 100 armas por dia.

COLT AR-15 A2, CALIBRE .223 REMINGTON

Possuiu também um autêntico Colt AR-15 A2, fuzil que possui alça de transporte fixa, e coronha mais curta, cano de 14,5″ e passo de raiamento de 1:7. Arma provavelmente importada dos EUA, era comum entre colecionadores na época por conta da restrição desse tipo de armamento em outros acervos. Em certo momento um presidente de Confederação de Tiro esportivo no Brasil chegou a solicitar à DFPC que fosse autorizada sua participação em um campeonato internacional de IPSC com um de seus fuzis semiautomáticos de alma raiada de calibre restrito, porém a autorização foi negada dizendo que a arma era para coleção, e não tiro esportivo. Anos depois, em 2019, esse tipo de arma ficou mais popularizada com o lançamento do Taurus T4, uma copia do fuzil Colt M4A1, e com a flexibilização da legislação para que fosse possível ter essa arma em acervo de Tiro Esportivo.

BENELLI M3 SUPER 90, CALIBRE 12 GA

A Benelli M3 é uma espingarda que pode ser operada de modo semiautomático ou por repetição (pump), semelhante à SPAS-12. Ela utiliza o mecanismo por inércia das espingardas M1/M2 em modo semiauto, mas inclui um dispositivo que trav­a a ação semiautomática e permite passar para o modo de repetição em segundos.

GUIDE LAMP M3 (GREASE GUN), CALIBRE .45 ACP

A submetralhadora M3, ou como era conhecida, Grease Gun, fabricada pela Guide Lamp, uma subsidiaria da GM nos EUA, essa submetralhadora encontrou seu principal trabalho nas trincheiras da Segunda Guerra Mundial. Ela foi desenvolvida para substituir as submetralhadoras Thompson M1928. Sua fabricação em chapa estampada facilitava e barateava sua fabricação. Ela entrou em serviço em 1943. A M3 destacou-se pela resistência à sujeira e facilidade de produção em massa, sendo fabricada em dezenas de milhares de unidades. A arma influenciou copias e variantes estrangeiras, como as submetralhadora Madsen M1953, posteriormente fabricada pela nacional INA.

ESPINGARDA BOITO PUMP CALIBRE 12 OXIDADA E INOX

A Boito é uma das mais antigas fabricantes de armas no Brasil, tendo inicio de sua produção em massa de armas em 1955. O modelo PUMP é um dos modelos mais consagrados de espingarda, com alimentação por bombeamento de sua telha. Na época dos fatos, só era permitido ter espingardas em acervo de tiro esportivo ou caça, espingardas com cano igual ou superior a 24″, como é o da arma em questão.

RIFLE CZ-UB MODELO 452 CALIBRE .17 HMR

Em 2003, pouco tempo depois da Hornady introduzir, em 2002, o calibre .17 HMR mercado, a famosa fabricante de armas da República Tcheca, CZ-UB, lançou uma variação do seu já consagrado rifle de caça e tiro esportivo, o modelo 452, em calibre .17 HMR. Esse rifle foi fabricado até 2017.

Em dezembro de 2022, Elize Matsunaga, cumprindo pena pelo homicidio e ocultação de cadáver do seu então esposo, registrou uma queixa na Delegacia de Policia Civil da cidade de Franca / SP, cidade onde reside, sobre o extravio do CRAF (Certificado de Registro de Arma de Fogo) dessa arma. É importante lembrar que, de acordo com o decreto 11.615/23, quem responde a inquérito policial ou seja condenado por algum crime, tem sua idoneidade perdida e não pode manter mais suas armas o Certificado de Registro.

IMBEL ITAJUBÁ CALIBRE 36

Em meados da década de 1960, a Fábrica de Itajubá reaproveitou fuzis Mauser Modelo 1894, calibre 7×57 mm, retirados de serviço pelo Exército Brasileiro para produzir uma espingarda de alma lisa destinada ao mercado civil. Em vez de serem destruídas, as armas em bom estado passaram por um processo de conversão de baixo custo, resultando nas versões em calibres 28 e 36.

Da arma original eram reaproveitados a ação, a coronha e diversos acessórios, enquanto o cano raiado e o conjunto de miras eram substituídos por um novo cano de alma lisa fabricado pela própria F.I. As coronhas eram aliviadas para reduzir o peso, preservando o desenho característico dos fuzis Mauser Modelo 1894.

REMINGTON 700-BDL .30-06 SPRINGFIELD

O modelo 700 BDL é a versão de luxo dos fuzis Remington 700. Este modelo foi introduzido ao mercado em janeiro de 1962 nas versões ADL (A Deluxe Grade) e BDL (B Deluxe Grade), ambas disponíveis com ações curtas e longas. A versão ADL possuía carregador fixo interno, coronha Monte Carlo em nogueira e miras abertas, enquanto a BDL oferecia acabamento superior, detalhes estéticos mais refinados e acessórios como zarelhos para bandoleira com engates destacáveis.

Em 1969, o Modelo 700 recebeu uma ampla atualização, incluindo novo acabamento do ferrolho, cobertura ampliada da parte traseira do conjunto do percussor, redesign da coronha, novo padrão de zigrinado na coronha e substituição da soleira de alumínio anodizado por uma de polímero. Com pequenas alterações estéticas e mecânicas ao longo dos anos, as versões ADL e BDL permaneceram como os principais modelos da linha Remington 700.

FUZIL MAUSER 1908 CALIBRE 7mm MAUSER (7X57mm)

O fuzil Mauser Modelo 1908 foi uma arma de fogo de ação por ferrolho baseada no projeto alemão Gewehr 98, adotada principalmente pelo Brasil e pelo Uruguai. Produzido inicialmente pela DWM e Mauser, utilizava o calibre 7x57mm Mauser e permaneceu em serviço militar no Brasil por várias décadas até ser substituído pelo FAL na década de 60.

O modelo da foto, pertencente a Marcos Matsunaga, teve aparentemente sua coronha refeita e seu conjunto de ferrolho e cano restaurados.

ROSSI OVERLAND CALIBRE 12 GA

A Rossi Overland foi lançada em 1957, ela foi a primeira espingarda de canos paralelos fabricada no Brasil, disponível em versões de cano longo e curto, esta última bastante usada por forças policiais nos anos 1980.

A Overland se destacou pelo acabamento em madeira lisa ou zigrinada, mecanismo simples de segurança e variedade de calibres, como o 12, 28 e 36. Sua numeração de série evoluiu ao longo dos anos, permitindo identificar períodos de produção entre 1960 e 1974. Tornou-se um ícone cultural, presente em propagandas da época e muito utilizada por caçadores e fazendeiros, consolidando a Rossi como referência na indústria armamentista nacional.

SMITH & WESSON 629 .44 MAGNUM

O revólver Smith & Wesson Modelo 629 é um dos mais tradicionais da história das armas curtas e descende diretamente da consagrada plataforma N-Frame, desenvolvida pela Smith & Wesson na década de 1950. Sua origem está ligada ao desenvolvimento do poderoso calibre .44 Magnum, criado com a colaboração do renomado atirador e escritor Elmer Keith. O primeiro modelo dessa família foi o Modelo 29, lançado em 1957 e, na época, considerado o revólver de produção mais potente do mundo.

A fama mundial da plataforma veio em 1971, quando o Model 29 foi utilizado por Clint Eastwood no filme Dirty Harry, tornando-se um ícone da cultura popular. Em 1978, a Smith & Wesson apresentou o Model 629, versão fabricada inteiramente em aço inoxidável, que manteve a robustez e a potência do original com maior resistência à corrosão. Até hoje, o 629 permanece entre os revólveres mais populares da marca, sendo oferecido em diferentes configurações para caça, tiro esportivo e uso recreativo.

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