CALIBRE DA SEMANA: ESPECIAL DE ATRASO

Boooa tarde senhores leitores, sejam muito bem vindos a mais um calibre da semana! Fiquei sem atualizar a coluna por duas semanas, o que é inaceitável e por isso venho hoje com uma especial para vocês: falarei de 3 calibres diferentes, ao invés de 1 como é o normal, sendo o de semana retrasada, semana passada e de hoje. Sentem-se relaxem e leiam sobre a história do .32 ACP (7,65x17mm Browning), .38 ACP (9x23mm Browning) e .40 S&W.

.32 ACP (7,65x17mm Browning)

O .32 ACP foi nada menos que o primeiro calibre de armas curtas desenvolvido pelo gênio das armas John Moses Browning. Desenvolvida em 1899 o .32 ACP possuía uma cápsula com paredes  rígidas para aguentar a pressão da ação por blowback das pistolas semiautomáticas, mas precisava também de um aro pequeno, para que tivesse um sistema de alimentação por carregador confiável. O calibre foi um sucesso e foi adotado por diversas forças policiais e agências governamentais.

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Colt 1903 em .32 ACP

Quando .32 ACP foi introduzido, diversas pistolas foram fabricadas para ele, como a Colt Mod. 1903 Pocket Pistol, SAvage Mod. 1907 Automatic Pistol, Browning 1910 Automatic Pistol.Para evitar qualquer que infringissem sua patente, John Pedersen, que trabalhava na Remington, criou a Remington Mod. 51, criando assim o sistema de trancamento da culatra. O .32 ACP foi usado em mais armas do que qualquer outro calibre. Entre 1899 e 1909, a FN produziu mais de 500.00 armas em 7,65 Browning.

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Walther PPK que pertencia a Adolf HitlerAcredita-se que Adolf Hitler usou sua Walter PPK em .32 ACP para suicidar, quando deu um tiro em sua têmpora direita e ao mesmo tempo mordia uma cápsula de Cianeto.

A popularidade deste calibre em meados dos anos 20 foi grande, principalmente na Europa. O especialista em armas de fogo, Geoffrey Boothroyd, do Reino Unido, disse ao autor Ian Fleming que James Bond deveria usar uma Walther PPK em .32 ACP. Um dos fatores que mais contribuiu para essa sugestão foi a tremenda disponibilidade universal deste calibre na nos anos 50.

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Pistola HK 4

 

A HK produziu sua primeira arma curta em .32 ACP, no caso, a HK 4, em 1967. Mais de 20.000 HK 4 foram produzidas neste calibre para a polícia Alemã.

Por ser pequena e ter, relativamente, pouco poder, permitiu Browning incorporar seu novo calibre em armas de bolso, e é usado até hoje para armas desta natureza. Foi um calibre muito usado por forças policiais e militares ao redor do mundo. Suas armas eram normalmente feitas de ferro, e começaram a ser produzidas em polímero nos anos 90.

O .32 ACP oferece mais velocidade que um .32 S&W, que foi um calibre popular para armas de bolso na mesma época. Seu projétil era também mais leve e sua performance balística era melhor que a do .32 S&WL (Smith & Wesson Long). Alguns fabricantes europeus produziam este calibre com um projétil de 73gr, e tinha uma performance similar ao do .32 H&R Magnum usando um projétil de 90gr de chumbo.

 

.38 ACP (9×23mmSR)

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Pistola Colt Modelo 1900 em .38 ACP

O calibre .38 ACP (sim, .38 ACP, não .380 ACP ou .38 SPL), foi introduzido ao mercado no ano de 1900, desenvolvido também por Browning para a pistola Colt 1900. Ele foi primeiramente usado nos protótipos das pistolas Colt 1897, porém elas nunca foram fabricadas em massa.

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Caixa de Munição .38 ACP.

As cargas iniciais deste calibre eram muito potentes, possuía um projétil de 130gr e tinha uma velocidade inicial de 380 m/s, algumas cargas experimentais alcançavam 410 m/s. Entretanto, esses padrões balísticos se provaram muito violentos para a Colt 1900 e sua velocidade foi padronizada a 370 m/s. Cargas comerciais posteriores tinham sua performances muito variadas. Por exemplo, Capitão Hugh B.C. Pollard, quando escreveu para a “Automatic Pistols” , publicado em 1920,ele mostrou que a Winchester possuía um Fator Balístico de um projétil de 130gr viajando a uma velocidade inicial de 358 m/s com uma força de 540J; a Ely Ammo usava um projétil de 128 gr, alcançava uma velocidade de 350 m/s e uma força de 466J e a Kynoch usava um projétil de 130gr viajava a uma velocidade de 300 m/s, uma das razões dessas disparidades pode se dar pelo fato de que a munição Winchester foi testada em uma arma com o cano de 6″, uma Colt 1902, enquanto as outras foram testadas de uma pistola Webley.  Mais tarde as cargas americanas comerciais padronizaram em uma projétil de 130 gr a uma velocidade de 320 m/s quando disparadas de um Colt 1903 Pocket Pistol com cano de 4,5″.

O calibre .38 ACP foi abandonado por dois motivos: na época, a Colt tinha acabado de lançar seu revólver Colt Army Ordnance, favoritando o retorno do calibre .45 LC para as armas curtas. E em pouco tempo as pistolas apra este calibre ficaram obsoletas e primitivas em comparação com a Colt 1911 em .45 ACP, mas mesmo assim ele foi bem vendido até ser lançado o calibre .38 Super, que possuía as características originais do .38 ACP.

 

.40 S&W

Ao cessar dos tiros após o tiroteio do FBI em Miami, em 1986, esta agência começou a fazer testes com o 9mm e o .45 ACP, para substituir seus revólveres .38 SPL por pistolas semiautomáticas, pois estas ofereciam dentre todas as principais vantagens de uma maior capacidade de munição e maior velocidade de se recarregar a arma em um tiroteio. O FBI estava satisfeito com a performance de seus .38 SPL LSWCHP (FBI Load), por terem décadas de experiência com este calibre, o novo calibre a ser adotado deveria ter performance igual ou superior aos já usados. O FBI fez 8 testes que representavam os tipos de situações os quais seus agentes normalmente se encontravam ao entrar em um tiroteio.

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Colt Delta Elite 10mm

Durante os teste o Agente Especial e Instrutor de Tiros do FBI, John Hall, decidiu incluir nos testes sua arma pessoal, uma pistola Colt Delta Elite no calibre 10mm usando munições recarregadas por ele mesmo. Os testes do FBI revelaram que um projétil de 170-180gr JHP de 10mm tinha a velocidade de 270 a 300 m/s, se adicionado a performance terminal desejada e com pouco recúo, o FBI contactou a Smith & Wesson e pediu para que projetassem uma pistola sobre suas especificações, baseada nos ja existentes modelos S&W 4506 em .45 ACP. Durante a colaboração com o FBI, a S&W percebeu que diminuindo a velocidade do 10mm,  para chegar à velocidade média especificada pela Agência Federal , significava menos propelente e mais espaço vazio dentro da cápsula. Eles viram que se removessem esse espaço vazio poderiam diminuir a cápsula do 10mm o suficiente para fazê-la caber em seus frames de tamanho médio de pistolas 9mm, e carregar essa cápsula com projéteis de 180gr JHP para produzir uma performance balística idêntica à pedida pelo FBI. A Smith & Wesson então se juntou à Winchester  para produzir o novo calibre, o chamado .40 Smith & Wesson.

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Smith & Wesson 4006 em .40 S&W

O .40 S&W nasceu no dia 17 de Janeiro de 1990, juntamente com a pistola Smith & Wesson Mod. 4006, entretanto, foi apenas meses depois que as pistolas neste calibre ficaram disponíveis para compra. A Glock bateu as vendas da SMith & Wesson com seu modelo 22 e 23 em .40 S&W, pois foram anunciadas semanas antes da S&W Mod. 4006.

A cápsula da .40 S&W é menor do que a da de 10mm mas todas suas outras dimensões, exceto pela grossura de sua parede, permanecem idênticas a este. Entretanto estes calibres não são intercambiáveis.

 

 

Espero que tenham gostado, este foi mais um Calibre da Semana, mas desta vez especial, com 3 calibres diferentes, farei o possível para manter a coluna sempre atualizada em dia!

Muito obrigado e até a próxima!

 

 

 

 

 

 

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Criador do blog Firearms Brasil. Atirador Informal, Técnico em Informática, mineiro e apaixonado pelo mundo das Armas de Fogo.

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