CBC – UMA VISITA À FÁBRICA

Antes de começar o texto é importante agradecer às pessoas que tornaram essa visita possível: Allan, Jairo, Mariana e Jonathan, todos funcionários extremamente atenciosos que foram de suma importância, além do Kleber, Rafael, Henrique e os demais colaboradores que me acompanharam e explicaram todo o processo produtivo das munições CBC durante visita à fábrica.

PROCESSO DE FABRICAÇÃO

MUNIÇÕES PARA ARMAS CURTAS

CBC
Estojos na primeira, segunda e terceira fase, antes de receber pólvora, projétil e crimp.

Dentro do complexo de fábricas da CBC existem várias pequenas fábricas, onde diferentes calibres são produzidos.

Primeiramente, visitei a fábrica de munições 9mm Luger onde o processo todo começa com um rolo tubular de latão, que rapidamente se torna algo parecido com um estojo convencional, porém sem cintura, cheio de rebarbas e muito maior do que um estojo comum, mas já com as marcações “9mm Luger CBC” na base da cápsula.

CBC
Espoletas CBC usadas nas munições 9mm Luger ETOG

Na fase seguinte o estojo é lavado, removendo então uma espécie de lubrificante no qual foi mergulhado, na terceira etapa o cartucho é cinturado e suas dimensões são ajustadas. Após passar por esse estágio os estojos vão para um grande e automático espoletador, esse processo, dividido em duas partes, começa com o posicionamento da espoleta e logo mais o assentamento da mesma no estojo. A última e óbvia etapa é a colocação de pólvora (no caso CBC 266 nas munições 9mm ETOG), projétil, assentamento do projétil e crimp. As munições de uso institucional, vendidas para as instituições de segurança pública, seguem ainda para o processo de gravação a laser, de dez em dez, do número do lote, na parte de cima e do meio da cintura dos cartuchos, as demais vão para a fase final, onde são embaladas em caixas com gravação do código de barras, lote e especificação da munição, e são então preparadas para a expedição, onde serão enviadas para seu destino final, seja este o mercado nacional ou internacional.

Gravação a laser em munições CBC 9mm Luger
CBC
Munições CBC 9mm Luger ETOG prontas para serem embaladas.

Achou o processo acima semelhante ao de recarga de munição? Pois bem, eles são bem parecidos mesmo e com uma única diferença: de ser um processo totalmente controlado por computadores e sensores, onde a interferência humana só acontece quando os estojos/munições precisam ser levados para a próxima máquina. Os sensores do maquinário testam a qualidade das munições a todo momento. Estes sensores são tão sensíveis que, de acordo com o gerente desta fábrica, ocorre o descarte de estojos/munições que estejam fora de qualquer tipo de padrão, seja na quantidade de propelente dentro dos cartuchos, altura dos projéteis ou uma simples sujeira no estojo que o maquinário enxerga como um problema, evitando ao máximo que possíveis erros aconteçam.

Estojo CBC de 9mm Luger logo após ser cortado.

Ao lado da fábrica de munição 9mm Luger, está a fábrica das demais munições para armas curtas como as munições NTA e Treina, .40 S&W e .45 ACP e demais munições, para uso efetivo ou treinamento. Esta fábrica, apesar de ter o mesmo controle de qualidade computadorizado e automático, possui maquinário um pouco mais antigo e produz em menor quantidade, além disso, o latão não chega em forma de rolos de tubo, mas um tipo de “copo” de latão, onde na primeira etapa ele passa por 5 estágios, e já sai com o formato da munição designada.

MUNIÇÕES DE FUZIS E METRALHADORAS

Munições 5,56x45mm NATO prontas.

Seguimos então para a fábrica de munição de uso militar, que produz calibres como 5,56x45mm NATO e .300 BLK (este vendido somente no exterior). O processo de produção é semelhante, porém, sua matéria prima chega em rolos de latão chapado, e logo no primeiro estágio passa por uma máquina que fura a chapa e cria uma espécie “copos” de latão. As duas primeiras etapas de preparação dessa munição é de preparação e lubrificação deste copo, que após ser preparado é esticado e toma forma completamente reta, com sua base abaulada e sem marcações. É somente na próxima etapa que ele ganha o tradicional formato “garrafinha” que conhecemos nas munições de rifles e fuzis, o estojo recebe um tratamento térmico, chamado de “cozimento” e é então levado para receber a espoleta.

Na etapa seguinte a pólvora, projétil e crimp são adicionados em um único equipamento. Por fim, essas munições seguem para serem embaladas, seja postas em um “elo”, (mais conhecido como cinto de munição) e depois em cunhetes, ou em caixas comuns seguindo para expedição.

É importante dizer que todo o material não utilizado durante o processo de fabricação, como os restos de latão, lubrificante e água, são reciclados e reutilizados em um novo processo.

ENTREVISTA COM SALESIO NUH

A visita teve pausa para uma entrevista com o Vice-Presidente Comercial e de Relações Institucionais da CBC, atual presidente da ANIAM e Taurus Armas, Salesio Nuhs, que me respondeu sobre a comercialização dos produtos, da legislação atual, novidades e previsões para o novo governo.

Entrevista com o Vice-presidente Comercial e de Relações Institucionais da CBC, Presidente da Taurus Armas S/A e presidente da ANIAM, Salésio Nuhs.

Já adianto que, com exclusividade, Salesio afirmou que a Taurus já possui protótipo de um novo tipo de submetralhadora, um modelo que, ainda de acordo com o Presidente da Taurus, é um sistema inovador em todo o mundo, o projeto foi patenteado pela Taurus e tem sistema semelhante ao da pistola Striker, restringindo aí os detalhes sobre o armamento. Nuhs também anunciou que serão lançados os modelos PT1911 Officer e Commander, RT692 que com a simples troca de tambor pode ser utilizado os calibres .357 Magnum / .38 SPL e 9mm Luger. Para saber mais sobre a entrevista assista a série de vídeos que postaremos ao longo do mês com a entrevista completa.

LABORATÓRIO BALÍSTICO

Estojos CBC de 5,56x45mm NATO logo após serrem “esticados”.

Após a entrevista seguimos para o laboratório balístico da CBC, onde possui 8 linhas de tiro indoor com 20m, 25m, 50m, 100m e 450m sendo esta última a maior da América latina e com a possibilidade de ser testado quase todos os tipos de munição de pequeno e médio calibre, incluindo munições calibre 30mm e munições explosivas. Os dispositivos de teste de munição conseguem medir absolutamente tudo em relação à ela, desde a precisão do tiro, até coisas mais sensíveis como o tempo entre a espoleta ser deflagrada e o projétil de fato sair do cano, algo extremamente importante, principalmente para metralhadoras ou canhões de canos rotativos, conceito Gatling, como as metralhadoras GE M134 Minigun em calibre 7,62x51mm NATO.

Além disso, ainda no laboratório balístico, existe uma sala com algumas máquinas de recarga RCBS, local onde são feitos testes de calibragem do maquinário de produção em massa, todos os dias antes do turno começar. E também onde novos modelos e projetos são desenhados, medidos e testados.

FINALMENTE

Infelizmente, por conta do tempo escasso, não consegui visitar as fábricas de pólvora, espoleta e projéteis, produtos os quais a CBC recebe maior número de criticas no meio dos Atiradores Desportivos. Minha visita à CBC, em Ribeirão Pires, finalizou com uma rápida visita ao CTT-CBC (Centro de Treinamento Tático), estande de tiro utilizado, não só por operadores de segurança pública e privada mas também por atiradores esportivos, para os mais diversos tipos de treinamento com arma de fogo.

Durante o caminho para o aeroporto e dele para Belo Horizonte, pude refletir e já escrever sobre a visita e constatar então que a CBC, apesar de receber diversas críticas, tem investido cada vez mais em tecnologia de ponta para conseguir fabricar produtos melhores, com cada vez mais qualidade. Os profissionais empregados nos setores têm conhecimento técnico profundo no assunto, resultado também do investimento da empresa nestes profissionais, e a melhoria constante é algo inevitável, principalmente se considerarmos uma quase certa abertura de mercado em 2019.

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Criador do blog Firearms Brasil. CAC vinculado à 4RM, mineiro e apaixonado pelo mundo das Armas de Fogo.

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