H&K MP5

Sejam bem vindos, falaremos hoje a respeito da Submetralhadora H&K MP5, e para contar sua história devemos começar pela cidade de Mogadishu. A maioria de vocês nunca ouviram falar desta cidade antes do filme Black Hawk Down, em 1993. Mogadishu, a capital da Somália, é uma cidade costeira localizada no estado de Banaadir, região do Oceano Índico. O combate de Mogadishu, em 1993, ficou conhecido como “O dia dos Rangers”, ele fez parte de uma operação internacional de pacificação após a massiva guerra civil que ocorreu naquele país, conhecida como “Operação Serpente Gótica” (Operation Gothic Serpent), essa é a Modadishu que a maioria das pessoas conhece.

Para os 86 passageiros e os 4 tripulantes sobreviventes do voo 181 da Lufthansa, esta cidade já era uma notícia ultrapassada já em 1990. O Boeing 737-200, chamado de “Landshut”, decolou como um voo de rotina das ilhas mediterrâneas Palma de Mallorca para Frankfurt, na Alemanha Ocidental, no dia 13 de Outubro de 1977. Porém, houve um sequestro em pleno voo, e o avião pousou em seis diferentes países. Após seis dias de confinamento e da execução do piloto, os passageiros se encontraram em um beco sem saída em Mogadishu, e apenas aguardavam seu destino. Os sequestradores queriam trocar os reféns pela liberação de 10 terroristas da facção “Red Army”, que estavam presos na Alemanha, dois terroristas palestinos, presos na Turquia, e quinze milhões de dólares.

Por achar que a demanda dos terroristas jamais seriam atendidas, todos os reféns pensavam que seu destino seria igual a do piloto Jurgen Schumann. Mas o que viram a seguir foi o que se fez escrito nas primeiras páginas do livro moderno sobre táticas anti terrorismo.

Ás 02:07 da manhã (horário local), do dia 18 de outubro de 1977, o grupo paramilitar GSG-9, armados com submetralhadoras H&K MP5, invadiram o avião pela porta da frente e gritaram para todos os reféns se abaixarem, e esse foi o primeiro teste de suas novas armas H&K, o que pode ser descrito como o maior ataque unilateral desde a tomada de Berlim, pela Rússia, em 1945. Um paramilitar Alemão, 3 passageiros e um tripulante ficaram levemente feridos. Todos os sequestradores foram baleados e destes, três morreram. O mundo ganhou então novos padrões sobre como negociar com terroristas, assim como uma nova submetralhadora para estes fins.

A criação da MP5 começou na Alemanha Ocidental, seu nome era H&K 54 e era parte do projeto 64 (sendo que 64 denotava o

Protótipo da H&K 54, em 1966 passou a se chamar H&K MP5.
Protótipo da H&K 54, em 1966 passou a se chamar H&K MP5.

ano deste projeto). O H&K 54 foi baseado no funcionamento e no design do fuzil H&K G3, em 7,62x51mm NATO. O desenho do fuzil foi feito pelo time de projetistas:  Tilo Moller, Manfred Guhring e Halmut Baureter, que trabalharam por dois anos para criar uma submetralhadora confiável, usando o mesmo sistema de trancamento de ferrolho por roletes, câmara flutuante e ação de retardamento de blowback de seus parentes. O nome H&K MP5 foi dado pela Guarda da Fronteira Alemã e pela Polícia Alemã em 1966.

A intercambealidade do controlador de fogo da MP5 e de seus “primos” maiores é de quase 99%. O jogo de gatilho da MP5 pode ser usado nos fuzis parentes automáticos e vice versa. Essa informação se faz importante porque muitos proprietários destes tipos de armamento possuem jogos de gatilhos trocados que podem ser trocados de um H&K G3, em 7,62x51mm, para um H&K 33, em 5,56x45mm para, é claro, uma MP5 em 9mm Parabellum.

Existem 9 modelos de MP5 padrão, com 8.9″ de cano, que consiste em diversas configurações de controle de fogo, seis modelos da MP5K (em que K significa Kurz, curto, em alemão) que possuem 4,5″ ou 5,8″ de cano e oito modelos de MP5SD que possui 5,7″ de cano e um supressor de ruídos, estas armas forram feitas para disparar munições 9mmP supersônicas reduzindo sua velocidade a de uma munição subsônica enquanto os gases escapam pelas “portas” do supressor.MP5

O supressor de ruídos da MP5SD original é feito de alumínio e possuí tanto as já antigas malhas metálicas quando as modernas pilhas de defletores. A nova MP5SD-N2, usada pela marinha norte americana, usa um supressor de aço inoxidável da Knights Armament. Mais de 80 países, além da cidade do Vaticano, possui ao menos um modelo de H&K MP5 em seus arsenais.

Em Maio de 1980, a Operação Nimrod colocaria a MP5 novamente aos olhos internacionais, quando seis terroristas membros da DRFLA, um grupo árabe de separatistas do Kuzestão, uma província do Iran, tomaram a embaixada iraniana em South Kensington, Londres. Após seis dias, as negociações falharam e os terroristas executaram um dos vinte e um reféns restantes e jogaram seu corpo pela janela, fazendo com que a SAS (Special Air Service – Serviço Aéreo Especial) com cerca de 30 a 35 operadores, invadisse imediatamente o prédio, pelas janelas, teto e porta, usando roupas pretas, respiradores S6 NBC e portando submetralhadoras H&K MP5.

Equipe SAS invadindo a embaixada iraniana com suas Submetralhadoras H&K MP5 A3
Equipe SAS invadindo a embaixada iraniana com suas Submetralhadoras H&K MP5 A3

Os próximos dezessete minutos pertenceram ao SAS e suas MP5s, quando conseguiram liberar os reféns restantes. Cinco terroristas foram abatidos, e um foi preso. Apenas um refém foi morto e dois foram feridos, pelos terroristas e um agente da lei foi também ferido. Alguns chamam de virada irônica no que se seguiu: o governo Iraniano culpou Margaret Thatcher e o SAS pela ação e declarou que os reféns mortos eram mártires da República Islâmica do Irã. Ao mesmo tempo, o governo iraniano sequestrou 52 Americanos no Tehran.

Obviamente, com o sucesso de qualquer sistema de armas, vem também as falhas.

No livro “Company of Heroes” o Oficial Michel Durant fala sobre sua experiência em Mogadishu com a MP5, em 3 de outubro de 1993; parte da equipe da Operação Serpente Gótica, Mike Durant, pilotando um Helicoptero Sikorsky UH-60 Black Hawk, foram atingidos por tiros vindos do Mercado de Bakara, distrito de Mogadishu, local o qual sobrevoava, os membros da milícia de Somali, foram quem atingiram o helicóptero. Por volta das 16:40, horário local, um explosivo 93mm foi disparado de um RPG-7 e atingiu o helicóptero que Durant pilotava, o explosivo removeu o rotor da aeronave causando uma descida em espiral e caindo então nas ruas da cidade abaixo.

Durante a ação, seu copiloto e dois chefes de tripulação ficaram gravemente feridos. O único time de resgate imediato consistia nos snipers da Força Delta, Randy Shughart e Gary Gordon,ambos receberam, postumamente, uma Medalha de Honra ao Mérito por suas ações neste episódio. Imediatamente após a chegada dos snipers, um incrível tiroteio começou ao redor do helicóptero caído, Durant, como piloto, portava uma MP5K como arma de defesa pessoal.

Ele diz que precisou resolver constantemente panes durante o tiroteio. Em algum momento da batalha alguém lhe entregou uma CAR-15 em 5,56x45mm, possivelmente pertencia a Gary Gordon, antes de toda sua tripulação e equipe de salvamento serem mortos, e Durant pego como refém.

É impossível recuperar a arma de Durant para verificar o porque dela ter falhado tanto, porém podemos imaginar alguns fatores que causaram o mal funcionamento de uma arma que era, até então, confiável: um helicóptero caindo dos céus a uma velocidade alta o suficiente para quebrar os ossos dos tripulantes e revirar os assentos certamente seria capaz de danificar o receiver estampado desta arma. Até mesmo uma ondulação moderada na lâmina de metal poderia criar falhas na ciclagem do ferrolho.

Devemos imaginar também a possibilidade da arma ter sofrido manutenção nos intervalos corretos e por um armeiro competente, no dia da queda do Helicóptero de Durant, a Lei de Murphy agiu e danificou o extrator ou o ferrolho da arma, obstruindo o funcionamento normal de ciclagem da arma.

A H&K MP5 está em serviço desde os meados dos anos 60. Esteve em ação na maioria dos conflitos armados internacionais

H&K UMP
H&K UMP

desde os meados dos anos 70. Suas histórias de sucesso são muito maiores do que suas falhas. Entretanto, falhas como as encontradas por Durant em 1993, levou várias agências a procurar por outras plataformas. A Heckler & Koch MP5 continua em produção, mas introduziu na sua linha de fabricação a H&K UMP, uma submetralhadora mais moderna. Diversas agências norte americanas trocaram suas antigas MP5 por UMP’s, porém, o Serviço Secreto Norte Americano ainda usa suas H&K MP5 em 9mmP como backup de suas FN P-90.

 

Se você gostou deste artigo, por favor, compartilhe-o com seus amigos!

Criador do blog Firearms Brasil. Atirador Informal, Técnico em Informática, mineiro e apaixonado pelo mundo das Armas de Fogo.

3 COMENTÁRIOS NO ARTIGO: “H&K MP5

  1. Boa tarde,

    Bacana o artigo do site. Acho que poderia abordar mais questões a respeito do que foi aqui tratado, isso ajudaria a esclarecer algumas dúvidas que tivermos. Vlw

  2. Excelente artigo sobre uma excelente arma. Quando se trata de armamento, o que vem da Alemanha é, em minha opinião, o que há. Mesmo tendo mais de 50 anos, o projeto aí da continua extremamente atual. Se fosse pra escher uma sub pra operar pelo rrsto da vida, sem dúvida, seria a MP5!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *