CALIBRE DA SEMANA: 5,56X45MM NATO

Mais um Calibre da Semana, me atrasei para postar esse novamente, mas não como o último atraso, hahahaha, sejam bem vindos a mais um Calibre da Semana, dessa vez falaremos sobre o famoso 5,56x45mm NATO.

Nos anos 50, o calibre 7,62x51mm foi selecionado para substituir o .30-06 Springfield como calibre padrão das forças dos países membros da OTAN. Na época da seleção, houveram muitas críticas sobre este calibre ser muito poderoso para as armas em serviço, que eram muito leves, causando assim recuo excessivo, e sua munição não teria uma cadência de tiro suficiente para combates modernos.

Os britânicos já possuíam experiência com calibres intermediários desde 1945, quando introduziram o calibre .280 British, mesma época em que o 7,62x51mm foi selecionado para compor as armas da OTAN. A FN também estava preocupada com o recuo excessivo mas sua eficácia era subjugada pelos EUA, e os outros países participantes aceitaram que a padronização do calibre era mais importante do que achar o calibre ideal. Enquanto o 7,62x51mm se tornava o calibre padrão da OTAN, os EUA já haviam começado suas pesquisas para a criação de seu próprio calibre.

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.222 Remington Special

Durante o fim dos anos 50, a ArmaLite e outras fabricantes americanas de armas, começaram a projetar seus próprios fuzis em Calibres Pequenos de Alta Velocidade (Small Caliber/High Velocity – SCHV), usando o calibre .222 Remignton. Quando ficou claro que este calibre não havia propelente o suficiente para alcançar a capacidade de penetração e velocidade da CONARC (Continental Army Command’s) dos EUA (competição a qual estavam participando), a ArmaLite contratou a Remington para criar um calibre similar com uma cápsula mais longa e um “pescoço” menor. Essa munição foi chamada de .222 Remington Special. Ao mesmo tempo, a Springfield Army também havia contratado também a Remington para criar um calibre com uma cápsula ainda maior , que ficou conhecida como .224 Springfield. A Springfield foi então forçada a abandonar a competição da CONARC, e suas armas em .224 foram mais tarde vendidas ao público como armas para esporte, se tornando conhecido como .222 Remington Magnum. Para se prevenir das confusas designações de todos os calibres .222, o .222 Remington Special foi renomeado para .223 Remington. Com a adoção do fuzil ArmaLite M16 pelo Exército Americano, em 1963, o calibre .223 Remington foi padronizado como 5,56x45mm NATO. O calibre .223 Remington comercial foi introduzido em 1964.

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Munição 5,56x45mm NATO de Flechete

O 5,56x45mm NATO, usado no fuzil M16, foram adotados inicialmente pela infantaria dos EUA como uma solução paliativa para contornar os problemas de controle e peso, problema o qual os EUA teve com o rifle M14. Ainda no final dos anos 50, foi solicitado ao programa de Armas Individuais para Propósitos Especiais (Special Purpose Individual Weapons) a criar uma munição do tipo flechete, que permitiriam às tropas a disparar projéteis que possuíam uma trajetória mais curta no ar, a uma velocidade de 1200 a 1500 m/s na boca do cano. Nessas velocidades, fatores como alcance, variações pelo vento e movimentação do alvo, não mais afetariam sua performance. Enquanto as munições de flechete possuíam uma excelente penetração em coletes balísticos, haviam dúvidas sobre sua eficácia terminal contra alvos desprotegidos. Munições encapsuladas convencionais eram mais precisas, porém, os flechetes eram caros de se produzir. O programa SPIW nunca criou um sistema que fosse efetivo em combate, portanto o M16 e a 5,56x45mm NATO foram padronizadas para toda a infantaria americana.

Por ter estado em diversas situações de combate, durante os anos 60,  o Exército Americano descobriu que o M16 mais curto e mais leve permitia que os soldados pudessem carregar e esconder a arma de forma mais rápida. A conclusão final foi que uma equipe de 8 homens equipados com M16 em 5,56x45mm NATO tinha o mesmo poder de fogo que uma equipe de 11 homens com rifles M14 em 7,62x51mm. As tropas americanas podiam carregar mais que o dobro de munições em 5,56×45 do que podiam em 7,62x539m no mesmo peso, o que produzia uma vantagem em combate contra os fuzis AK-47, AKM ou os Type 56 chineses, por exemplo.

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Acima o ferimento causado pela munição M193, e abaixo o ferimento causado pela munição SS109, e ao lado de cada ferimento suas respectivas munições.

Em 1977 os países membros da OTAN assinaram um acordo  para selecionar um calibre para substituir o então 7,62x51mm. Dos calibres que participaram das competições o 5,56x45mm NATO foi o vencedor, mas não a munição de 55gr M193 usada pelo Exército Americano. Os ferimentos causados pela M193 eram tão devastadores que muitos consideravam desumanos. Ao invés dele, usaram a munição belga de 62gr, SS109. A SS109 tinha um projétil pesado com uma ponta de aço e possuía baixa velocidade na boca do cano, obtendo uma melhor performance em tiros longos, mais especificamente para cumprir uma das exigências da OTAN: ser capaz de penetrar um dos lados de um capacete de ferro a 600m. Essa exigência fez da SS109 menos capaz de se fragmentar do que a M193, e por isso foi adotada pelos países membros desta organização.

O 5,56x45mm NATO inspirou uma tendência internacional para calibres militares relativamente pequenos, leves e velozes, que produziam menos impulso no ferrolho e pouquíssimo recuo, favoritando armas leves com disparos automáticos precisos.

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Criador do blog Firearms Brasil. Atirador Informal, Técnico em Informática, mineiro e apaixonado pelo mundo das Armas de Fogo.

4 COMENTÁRIOS NO ARTIGO: “CALIBRE DA SEMANA: 5,56X45MM NATO

  1. Excelente, seus artigos sobre armas são muito bons ,gostei e estarei sempre acompanhando seus artigos ,procure escrever um artigo sobre as pistolas da cz thecas .ABRAÇOS E OBRIGADO

  2. sou sargento da policia de são Paulo e dou instrução de tiro aos policiais e gostaria em muito de saber qual a diferença do cal 556 para o cal 223 no fuzil imbel IA2. como alcance de ambos, velocidade a partir do cano de ambos, quantidade de pólvora de ambos, se usado em treino qual poderá danificar o armamento mais rapido , desde já agradeço pela atenção.

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