CALIBRE DA SEMANA: .338 LAPUA MAGNUM

Bom dia, boa tarde e boa noite senhores, este é mais um artigo da coluna “Calibre da Semana”, dessa vez trouxemos um calibre  sugerido pelo leitor Caio Gonçalves: o .338 Lapua Magnum .

Indo de volta aos anos 80, em 1982 para ser mais específico, o .338 Lapua Magnum começou a ser pensado. A Marinha dos Estados Unidos pediu para que a empresa Reserch Armament Industries (RAI) desenvolvesse um rifle sniper para tiro a longa distância. RAI era uma empresa relativamente pequena, comandado por Jerry Haskins, e operava principalmente em projetos de tecnologia de defesa. Oficialmente a RAI estava incumbida de projetar um rifle de precisão que acertasse alvos com letalidade a 1000 jardas, mas na realidade o propósito era desenvolver um rifle que fizesse este mesmo trabalho, porém,  a mais de 1500m.

Haskins desenvolveu um protótipo extremamente simples, esta arma é conhecida ainda hoje como “Haskins Rifle“. Seu chassi era feito junto com a coronha, seu cano e um pequeno suporte cilíndrico dianteiro eram presos a seu frame de aço. O ferrolho possuía três encaixes localizados em sua parte traseira, para que se tornasse fácil a troca de calibres da arma. Haskins patenteou a arma na patente de número: US pat. 3 494 216.

.338 lapua magnum
Haskin’s Rifle – RAI 500 em .50BMG

A construção deste rifle foi muito significante, pois foi o primeiro rifle de precisão construído para os militares. Os rifles de precisão anteriormente usado por eles e pela polícia, eram rifles de caça modificados para seus propósitos, ou rifles comuns equipados com lunetas. A versão em .50BMG do “Rifle de Haskins” ainda é fabricado nos EUA, pela “Aurora Tactical”. Haskins desenhou dois modelos desta arma, o modelo 500 em .50BMG, e o modelo 300 em .300 Winchester Magnum. No modelo 300 seu calibre poderia ser trocado facilmente, na mesma arma, para .308 Winchester Magnum apenas trocando o cano e o ferrolho.

Contudo, o calibre .300 Win. Mag. não preencheu os requisitos de penetração que os Militares necessitavam, portanto a pesquisa por uma novo calibre com melhores propriedades balísticas e um projétil mais pesado começou. A primeira opção que surgiu foi fazer um novo calibre usando uma cápsula de .378 Weatherby, afunilada para .338. Rapidamente descobriram que era uma solução inadequada, graças ao pequeno corpo do recipiente afunilado. O cartucho ficava preso dentro da câmara, e sua construção causou falhas de alimentação na arma. O próximo calibre testado foi o .416 Rigby, que era um calibre usado para caça de grandes animais. Suas cápsulas eram fabricadas pela “American Brass Extrusion Laboratories”, conhecida como BELL. a Cápsula do .416 Rigby foi afunilada para receber um projétil de 0.338″. Um novo calibre nasceu, chamado de .338/416 ou 8,58X71mm. Haskins gostou da Sierra, conhecido por fabricar projéteis precisos, para elaborar suas munições, mas Sierra não estava interessado em seu projeto. A Hornady entrou no jogo e projetou um projétil de 250 Grains HP-BT (Hollow Point Bullet – Projétil de Ponta Oca).

.338 lapua magnum
Munição de calibre .338/416

Nem mesmo o projétil feito pela Hornardy preencheu os requerimentos de penetração dos militares Americanos. De acordo com algumas conversas escutadas, um dos problemas era que o Exército iria aceitar apenas as munições da Sierra ou Lapua. Quando o tempo para entregar as armas e munições para testes estava chegando ao fim, a RAI começou a procurar pelo outro fabricante. A fabricante final, Lapua Cartridge Factory, foi encontrada por meio de seus representantes americanos, Kendall Internationall, e no verão de 1984 Lapua foi apresentado ao futuro do .338/416.

O desenvolvimento de ambos os calibres, .338/416 e .338, com projéteis FMJ (Full Metal Jacket – Jaquetado) havia começado. Um calibre totalmente novo foi desenhado e projetado, as coisas foram feitas de uma forma muito rápida e as primeiras munições produzidas ficaram prontas para serem exportadas para os Estados Unidos no inicio de 1985.

Em 1986 o .338/416, feito por Lapua, ganhou a competição de 1000 jardas dos “Marines“, em Quantico, na Virginia. O método de seleção do Exército Americano seguiu uma linha própria, e durante o ano de 1986 tudo ficou claro: eles aceitariam apenas os rifles Haskin em .50 BMG, e não aceitariam o .338/416. O rifle RAI 500 foi testado em campo, em Beirute e Granada. Mesmo que o .50BMG tivesse uma boa performance balística, o verdadeiro critério para a decisão do Exército é que o .50 BMG estava em produção a anos, fabricado por diversas empresas, e já era parte do arsenal americano por décadas. Já o .338/416 era um calibre novo, era ainda desconhecido.

Após produtores Americanos saírem de cena, a Lapua ficou basicamente sozinha com o novo calibre, porém sem produtores de armas para sua munição. A gerência da empresa decidiu continuar o desenvolvimento de seu produto. Isso resultou em uma mudança nas medidas do calibre, e este foi nomeado .338 Lapua Magnum. A grande diferença deste ao 8,58X71mm era que o novo .338 Lapua Magnum possuía uma cápsula 2mm menor, e por conta disso o espaço para propelente era 1mm menor.

Além disso o interior da cápsula foi redesenhado para suportar as altas pressões da câmara, as mudanças feitas no .416 Rigby resistiram. Então, o .338 Lapua Magnum estava finalmente pronto.

A razão pela qual o .416 Rigby ser um bom protótipo e ter sua cápsula usada, mas não ser de fato o calibre usado era claro, com o .338/416 a velocidade atingida, com seu projétil de 250 Grains, era de 915 m/s. Uma cápsula totalmente nova, para aguentar altas pressões exércidas na câmara da arma que disparasse o novo calibre, era visivelmente necessária. O .416 Rigby tinha uma cápsula que aguentava até 3000 Bar de pressão. A nova cápsula aguentava até 4000 Bar’s, a definição original de pressão baseada no método de deformação de uma pastilha de cobre – o Método Crusher – especificou, no inicio, 56000 CUP’s (3900 Bar’s de pressão). Quando a CIP (Comission Internationalle Permanente) chegou em seu período de mudança, um erro foi cometido em algum lugar resultando na pressão média para o .338 Lapua Magnum em 4700 Bar’s, mesmo que a pressão correta seja 4200 Bar’s.

O .338 Lapua Magnum claramente não era um calibre de caça, mesmo que servisse para esse propósito. Foi um calibre criado para competições de tiro a longa distância, e para fins militares, com qualidade de penetração e trajetória superior ao .30 Carbine.

.338 lapua magnum
Projétil Lock Base

A carga deste calibre foi também desenvolvida pela Lapua. Uma carga de 92 Grains de pólvora de queima lenta precisava ser iniciada sem falhas por um grande rifle. O primeiro lote para testes do .338 Lapua Magnum ficou pronto em 1988. Mas apenas em 1989 a CIP aprovou o novo calibre. Novos projéteis foram desenvolvidos para os requisitos deste calibre. Nos anos 80 a Lapua desenvolveu um projétil jaquetado que era diferente das construções tradicionais. O projétil era totalmente revestido por uma jaqueta de cobre, protegendo seu interior de chumbo, exceto pelo centro da base do projétil. A construção, depois conhecida como “Lock Base” foi patenteada em 1990. O ponto de início para seu desenvolvimento foram os testes, eles demonstraram claramente que cobrir o chumbo com uma jaqueta fazia o disparo ser mais preciso. O peso do projétil permaneceu o mesmo, 250 Grains. A primeira munição “Soft Point” foi produzida pela Mira, e em 1990 a munição .338 Lapua Magnum foi introduzida no mercado.

.338 lapua magnum
Acima uma versão do rifle Mauser SR93 usado pela policia alemã. E abaixo uma versão do Rifle SAKO L61.

O novo calibre despertou interesse de fabricantes de armas Europeus. O .338 Lapua Magnum não apresentava problema algum, já que sua cápsula era maior do que as outras de calibres com nomenclatura Magnum e precisava de uma ação mais ampla do frame e do ferrolho. Uma das primeiras marcas de armas a se interessar e produzir rifles neste calibre foi a marca alemã Mauser, que fabricaram uma versão em .338 Lapua Magnum de seu rifle SR93. durante 1988 a Lapua começou uma parceria também com a Sako, empresa finlandesa. O rifle que usaram para testar foi o L61. A Sako produziu e testou diversos canos que foram conclusivos e evidenciaram que os fatos de balística interna estavam disponíveis para análise do produtor. Baseado nesses testes, os canos para .338 Lapua Magnum são feitos da mesma forma, ainda hoje. Os canos não precisam ser necessariamente grandes, mas precisam ter tamanho suficiente para que o projétil alcance uma performance otimizada, ou seja, alta velocidade e melhor precisão possível.

O primeiro produtor em massa de rifles em .338 Lapua Magnum foi a Accuracy International, chefiada por Malcolm Cooper na Grã Bretanha. Cooper era um atirador de rifles de sucesso, que ganhou diversos campeonatos em competições importantes, ganhou duas medalhas de ouro Olímpico, por exemplo. Um dos pontos que fez Cooper ter sucesso em sua carreira é que ele mesmo desenhava e produzia seus rifles de competição. Algum tempo depois a Sako seguiu a Accuracy international com seu rifle TRG-41. Pirkan Ase e Gunsmith Jery também introduziram em sua linha de produtos rifles neste calibre.

.338 lapua magnum
Accuracy International Super Magnum L115A1

Nos anos 90 Heym, Erma, McMillan, H-S Precision, AMP e a Dakota Rfiels também passaram a produzir rifles neste calibre, na verdade, todo produtor de rifles de precisão, ao menos tentaram produzir rifles para este calibre. Com o passar dos anos, o .338 Lapua Magnum foi adotado por diversas forças militares do ocidente e também por organizações similares.

FONTE: http://www.lapua.com/en/story-of–338-lapua-magnum.html

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Criador do blog Firearms Brasil. Atirador Informal, Técnico em Informática, mineiro e apaixonado pelo mundo das Armas de Fogo.

4 COMENTÁRIOS NO ARTIGO: “CALIBRE DA SEMANA: .338 LAPUA MAGNUM

  1. Boa tarde, amigo quais os calibres permitidos para um civil no Brasil? Seria possível faer um artigo comparando .300 Remington com .300 Winchester?

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